Agora ferrou tudo
Existiu uma época em que minha pessoazinha falaria isso apenas se tivesse tirado uma nota baixa na escola ou se a professora tivesse visto meus atos diabólicos jogando uma bolinha de papel no ventilador.
Como estas coisas mudam…
Ainda lembro das reclamações quanto à escola, sempre fui um destes, bom,… Insatisfeitos… Não que eu fosse querer uma escola melhor… Isso por que na época estudava na melhor escola deste buraco de Judas, então, eu queria era folga mesmo.
Não suportava passar uma manhã inteira debruçado sobre a mesa enquanto algum professor falava sobre qualquer coisa.
Minha revolta foi crescendo! Eu poderia estar dormindo na minha cama EM CASA, mas nããão, tive de vir aqui fingir que faço algo e agora não posso mais fugir até o sinal de saÃda,… Ou posso?
A possibilidade de escapar fez a adrenalina subir e após a primeira escapada a tal da endorfina me deixou dependente!
Oficialmente uma passageira dupla-vida começou. A principio era simples: Eu deveria não ir à escola e procurar algo que deixa-se minha manhã mais divertida.
Parecia um agente secreto com várias táticas para não ser pego, andava pelos cantos, espiava pelas portas e após alguns minutos, estava bem longe.
Tudo às três mil maravilhas! Assistia uma a cada cinco aulas e estava sentindo como se agora quem pudesse dar aulas fosse eu. Tudo isso até receber uma noticia: - Marco você esta estourado em faltas.
Naquela hora pensei: “Puta que lá mierda como vou fazer agora?â€
Eu tinha diversas alternativas cabÃveis para o momento, afinal, eu era um cara esperto, cabulava aula para ficar indo em uma lan-game, e obviamente, só por tal fato eu deveria ter no mÃnimo umas cinco saÃdas diferentes. Pois é! Deveria! Só que dolorosamente, não tinha.
Comecei a me desesperar. A polÃtica da escola era um pouco rÃgida com faltas, entretanto, na droga da minha cabeça de pseudo-malandro, imaginei que não eram tantas assim. Já me imaginava amarrado com pesos nos pés sem sair de casa pelo resto da vida. Isso sem contar que jamais poderia ter um carro e que agora eu só deveria comer coisas a base de leite (odeio leite, isso pra mim seria pior que ficar sem carro, bem, nem tanto).
Naquele dia fui para casa logo após a aula, almoçamos e depois fui deitar. Fiquei olhando o teto imaginando como eu poderia escapar daquela, isso por que, existia a certeza que cedo ou tarde todo mundo iria ficar sabendo da minha maracutaia.
Dois dias depois minha cabeça voava no mundo dos Pokemons, estava na escola, mas longe de estar presente de verdade. A preocupação e seu pior quase-sinônimo o medo, não me deixaram ficar em paz.
A única coisa que eu conseguia pensar era que eu tinha duas saÃdas obvias: A primeira era aceitar que eu havia fodido com tudo e que agora já elvis pra mim. Estava na hora de aceitar a pena as punições e mais tarde, a falta de dentes. Ou a segunda saÃda que era dar um jeito para mudar a situação arrumando uma maneira de misteriosamente as faltas desaparecerem.
Bom, julgando que se mais ou menos ferrado, não ia mudar em nada o resultado, o decidido foi: Vai ter de ser a segunda alternativa!
Comecei a pensar como agora poderia alterar a situação, pelas minhas contas eu precisava de presença em oito aulas em uma das matérias e precisava de quatro presenças em pelo menos mais duas. Percebi que de resto eu podia me virar bem dando a velha desculpa: - Eu estava na sala! A chamada que foi mal feita.
Chegou à hora de agir! Com a principal matéria não haveria jeito de o professor ser convencido de que teria errado tanto. Precisava fazer algo que poucos alunos outrora sequer tentaram. Estava decidido, eu precisava roubar o livro de chamadas e ficar com ele por pelo menos quarenta segundos. Analisando, percebi que o professor deixava o livro de chamadas na sala do diretor nos intervalos. E esta, ficava sempre com no máximo uma pessoa neste horário.
Após fazer a pesquisa da cor da caneta que o professor utilizava me preparei! Dois minutos antes do intervalo fui ao banheiro e lá fiquei. O sinal soou! Aquela algazarra de gente, no entanto, não era hora ainda. Aguardei por mais ou menos três minutos e meio, sem dúvida, os maiores três minutos da minha vida. Lentamente saà do banheiro caminhando até a porta da sala do diretor. A sala estava vazia. Era agora! Eu só tinha alguns segundos. Procurei e quase que de imediato encontrei o livro, abri, fiz os F`s virarem C`s fechei.
Estava perdido no meu próprio medo, sai da sala desci as escadas, algumas pessoas falaram comigo, mas não lembro o que. No final daquele dia eu ainda não estava tranqüilo, apenas no outro dia quando consegui juntar coragem para pedir quantas faltas eu tinha que me tranqüilizei. Ninguém sabia de nada. Inclusive meus paÃs, que vão saber sobre esta história só depois que eu publicar este texto.
Nas outras matérias eu consegui aos poucos fazer os professores acharem que eu estava em sala e mudarem sobre livre e espontâneo medo de ter errado meus F`s para C`s.
Sabe o que eu aprendi?
- Nos intervalos feche a sala do diretor!
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Eu só fui cabular aula durante o ensino médio. Durante o fundamental era foda, pq onde eu estudava, ligavam pra casa do aluno pra saber o motivo da falta. O 2º ano foi o que eu mais gaziei. Era a escola, uma praça e um bar. Era lá mesmo que eu ficava. Levava uma blusa dentro da bolsa e trocava, pra não ficar tão escancarado. Era bom, me divertia muito e logicamente, que eu me fodi mais na frente. =D
Bjos!